terça-feira, maio 31, 2005

Ela

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Sento-me à beira da cadeira, nervoso. Tremo por todos os lados. Fico à espera dela. Ponho uma música clássica, para criar ambiente. Bach parece-me uma boa escolha, mas sou suspeito. Que alívio... a melodia escorrega-me pelos ouvidos... mas a escolha não me parece certa. Acho que ela não vai gostar. Hoje não. Levanto-me e procuro mais CD’s. Encontro Sigur e Calcanhoto... mas não a quero enjoar. Já as ouviu tantas vezes... o que será então? Hoje pode ser K’s Choice. Vivam os gostos do meu irmão, que de vez em quando até traz para casa coisas de jeito. Ponho o CD e sento-me de novo. Mas a cadeira parece que tem espinhos, porque não consigo parar quieto. Estou demasiado nervoso para ficar ali parado. Vou à cozinha, buscar qualquer coisa para comer. Não posso comer muito, senão arrisco-me a ficar com sono, e quero estar bem acordado quando ela chegar. Há tanto tempo que não a vejo... tenho saudades dela... mas desta vez fi-la prometer uma visita. Mas ela demora tanto... que tortura. Quantas vezes me terei imaginado a perder noites desperto na companhia dela... noites íntimas, especiais, únicas. Noites onde estaríamos os dois completamente separados do mundo. Nos meus sonhos, falávamos a noite toda. Bem... verdade seja dita, eu nem falava muito. Parecia-me um crime interromper a dança de palavras que entrava nos meus ouvidos. E ali ficava, de olhos a brilhar, enquanto me segredava coisas que ora me faziam rir, ou me deixavam cabisbaixo. Parecia conhecer-me há tanto tempo... serei merecedor da sua companhia? Já não sei... só sei que nunca mais chega, desgraçada. Grrrr, que faz de propósito! Sinto raiva, e ela sabe disso! Acalma-te rapaz... sabes que quanto mais nervoso estiveres, mais tempo ela vai demorar. Os segundos arrastam-se, os minutos alongam as pernas e as horas parecem coelhos na primavera. Tem calma... respira... o CD já deu a volta. Fico um pouco triste, confesso. Pensava melhor de ti. Prometeste-me porra. Porque não apareces? Penso demais. Penso demais em ti. Não me sai mais nada se não deixar de o fazer. Sento-me, inspiro fundo. A música parou, mas o CD está a tocar. Sinto-te. Sei que estás a chegar. Fecho os olhos e espero que me digas que chegaste. [silêncio...] Consigo ouvir... não sei se és tu, se a música que nos interrompe. Não... és mesmo tu. Que alívio, meu deus! Senti tanto a tua falta... estremeço, como um doido. Corre-me uma lágrima, mas não pela face. Arrepias-me todo, já te tinha dito? Parece que me invades o corpo, e deixas-me com frio, para me aqueceres logo de seguida. Tanta coisa que sinto ao mesmo tempo, só por ti. Só para ti. Dá-me um beijo, por favor. E não olhes para mim, que tenho vergonha de estar assim. Deixa-nos ficar assim a noite toda, bem perto um do outro. Antes que eu adormeça, e tu te vás, como antigamente. Quero ficar contigo até não poder mais. Até estar tão cansado que caia para o lado, exausto. Emprestas-me o teu corpo? Já sei, peço demais. Fica ao meu lado então. Abro os olhos, e ouço a música. Apetece-me escrever. Obrigado, inspiração. Sem ti, não sei o que seria de mim.

segunda-feira, maio 30, 2005

Queima das Fitas 2005

Ora aqui estão algumas das fotos... da queima propriamente dita tenho filmagem - não posso senão punha aqui. Se aparecer mais alguma foto interessante, altero o post (só andei com a minha câmara na benção). Quanto ao resto... fizeram-me recitar o meu poema, era suposto ser o Carlos a discursar... mas o sacana arranjou forma de me empurrarem para a frente.

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Nada má esta =)

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Uma bolacha para quem achar o pikachu (pvt joke)

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Mais um grupo, mais uma voltinha.

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Vou emoldurar esta fotografia... se me fizessem escolher duas miúdas do mundo inteiro para tirar uma foto, não alterava nada.

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Esta é para quem me conhece... com quem é que eu tinha acabado de falar?

domingo, maio 29, 2005

Estou assim...

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... sempre noutro lado, a gostar do que me lembro.

sábado, maio 28, 2005

Sigur Rós

Sempre fui um bom apreciador de música, verdade seja dita. Sou um confesso apaixonado pelas melodias e letras que me chamem a atenção à primeira. Normalmente, se não me cativa à primeira, dificilmente farei questão de voltar a ouvir. Mas a minha noção de música andava, até uns poucos anos atrás, um pouco turva. Claro que na altura não me apercebia, mas despachava os CD's com uma velocidade pouco aconselhável, sem os ouvir uma segunda ou terceira vez. Ouvia-se e passava-se à frente. Até que um dia...

... entrei numa Valentim de Carvalho, ainda nos tempos das 3 moscas. Estávamos todos por ali a passear, a conversar e à procura nem sei bem do quê. Estava algo [Svefn-g-Englar], a tocar. Algo que nunca tinha ouvido antes. A melodia soava-me tão bem... harmoniosa e arrepiante. Arrombava com pés de lã cada um dos meus sentidos, um após o outro, bem devagarinho. Enquanto me deixava seguir pela melodia, tudo abrandava à minha volta. Comecei a sorrir para mim mesmo. Alguém me puxara ao mundo real por breves instantes... "Mas nós mulheres, somos todas iguais, por isso não há problema, não achas?", perguntava-me. Não me lembro do resto da conversa... mas respondi, antes de me afastar de quem ansiosamente esperava por uma resposta "Se fossem todas iguais... já tinha desistido de procurar." E troquei-a. Pela música, pelo feitiço que já me havia envolvido e roubado aos meus amigos. Enquanto andava, tocava com a ponta dos dedos nas prateleiras cheias de músicas à espera de serem levadas para casa com alguém que lhes sentisse a falta, com a minha irritante mania de tocar em tudo. Tocava-lhes, mas agora de uma forma diferente. Ria-me, porque tinha arranjado uma banda sonora para os todos aqueles momentos em que me perdia no meio da multidão, e entrava num transe que me levava para outros lugares. Aproximei-me do balcão, e meti conversa com o senhor que lá estava. "Desculpe, mas o que está a tocar?"... "Sigur Rós."... "Desculpe?"... "Sigur Rós... uma nova banda por aqui em Portugal. Muito aclamada pela crítica... queres ver a capa?"... respondi que sim, e vejam o que me trouxe....

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Perguntei quanto era, ao que me respondeu 15 euros. Tirei-os, sem hesitar, da minha carteira. Não queria saber se nunca tinha ouvido aquilo na minha vida, se só tinha uma música para enganar, ou se tinha dinheiro suficiente para dar para o resto do passeio. Tinha-me apaixonado à primeira vista. A lógica deixa de fazer sentido. O CD implorou-me que o levasse para casa, e eu fui incapaz de dizer que não. Levei-o, sem qualquer dúvida que tinha feito a escolha certa.

De tudo o que já ouvi na minha vida, o album Ágaetis Byrjun foi o que mais vezes deixei invadir a minha alma. Repetia-o ao infinito no meu quarto, na minha sala, enquanto dormia, enquanto me lembrava dele no autocarro. Tudo era uma desculpa para o ouvir. Estudar, ler um livro, uma viagem para a escola. Sonhava constantemente acordado, bêbado de provar over and over again todas aquelas músicas, das quais escolhi "viðrar vel til loftárása" como a que mais perto chegou de mim. Ainda hoje faço questão de procurar o CD e relembrar todas aquelas vezes em que me perdia pela melodias criadas pelos génios islandeses. Ainda hoje... quando toco ao de leve em tudo o que me rodeia, ouço as melodias a fluirem-me pela pontas dos dedos. Sigur Rós mudou a minha vida. Estou perdidamente apaixonado por tudo o que representa na minha vida, e como tal, não posso deixar de lhe deixar aqui, num espaço que afinal de contas é meu, o meu tributo.

Para alguém.

quarta-feira, maio 25, 2005

Oásis

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Ontem. Terça-feira, 24 de Maio de 2005.

Já não me lembro de ter direito a dias assim. Um verdadeiro oásis dos tempos que me correm. Às 8:15 lá estava eu no barco a caminho de Tróia, com o Carlos, Diogo e Sofia. Destino: filmagens do Morangos com Açúcar: Férias de Verão [whatever]. Um dia cheio de sol, maresia, futeboladas e... ocasionais cenas para filmar - vamos aparecer em 3 ou 4 cenas daquele episódio. Um dia de praia tão completo que as 12 horas que lá passamos não nos pareceram assim tanto. Há quem já nos chame de famosos, mas prefiro o adjectivo "sortudos". Dias assim não caem do céu. E nada como um último mergulho já no cair do sol, quando já ninguém se atreve a meter os pézinhos na água, para finalizar um dos melhores dia de praia que já tive. E a travessia de volta para Setúbal... uma brisa morna que nos afaga a face e o corpo moído. Uma sensação de bem-estar extasiante, e o saber que o dia ainda nem sequer começou.

Atrasado, chicoteei os cavalos da carrinha para ver se me levavam o menos envergonhado possível ao jantar que havia marcado. Pelo caminho, a música quente dos Da Weasel que passava na rádio contagiaram-me a carrinha - é tão influenciável- , que não teve outro remédio senão dar uns passos de dança pelo meio do trânsito, sob o olhar atento [assustado] de por quem passávamos sem pedir licença. Passávamos, porque a carrinha tinha ganho vida. E dei-lhe o prazer de uma volta mais longa, só para matar saudades dos tempos muito mais atribulados que passamos, antes que seja vendida a alguém que não vai fazer ideia da história que aquelas quatro rodas têm para contar. Cheguei ao jantar, à pressa e com uma pequena surpresa para a minha anfitriã, para lhe compensar o tempo que havia esperado pelo término das malditas filmagens. E que jantar... benditas sejam as artes culinárias de quem tem gosto de cozinhar para si e para os outros. Apreciei cada momento, sugando sem qualquer preconceito a cumplicidade de uma amizade já longa e tão valiosa.

E a noite tinha caído, de tão escuro que se tornara o céu. O Quim Barreiros esperava por nós, não o quisemos fazer esperar! Entrámos com uma garrafita do bom do Moscatel de Setúbal à socapa, porque aquele era o único veneno que havíamos decidido tomar o resto da noite, a respeito pela sobriedade necessária para aproveitarmos o que nos faltava e pela vida que tanto nos faz falta, quando precisamos de chegar a casa inteiros. E que bailarico! Dancei tanto e com tanta gente que só me lembro de rir em cada passo que conseguia acertar, pois parecia que os deuses da boémia me queriam recompensar pelo dia que tinha vivido. "Vês? A vida não é tão má assim, rapaz!" E aqui estou eu, a tentar descodificar em palavras a enorme felicidade que me ofereceram quando me conceberam, e quando mais tarde me tiveram. Obrigado pais!!

A tal de cadeia, essa marota

Obrigados e obrigados "le chat", pela intenção carinhosa!

Aqui vão as respostas, embora nesta altura do campeonato a ressaca de ontem à noite interfira um pouco com o resultado:

Que fazes neste momento?
Acordei da festa do Quim Barreiros da semana académica com um gaijo a dormir ao meu lado [grandessíssimo salvo seja]. Estou a tentar preparar-me para estar na escola daqui a umas horas.

Planos para o fim-de-semana?
Sábado vai ser mesmo para estudar, ouvi dizer que dá jeito quase no fim do semestre. Domingo é Queima das Fitas ;( ... um festejo com os melhores colegas, amigos e familiares do fim dos melhores tempos da minha vida.

Que coisas te causam stress neste momento?
Das que me causam mais stress, os trabalhos e o projecto final de curso que tenho de entregar este semestre são sem dúvida nenhuma os que mais me ajudam a dar cabo do sono.

Que fizeste desde que acordaste?
Levantei-me, falei com o Noras e liguei o PC depois de um dia inteiro sem acesso à net [está tanto frio... :P]. Ah, e para dizer à minha mãe que me esqueci do telemóvel na carteira de uma amiga minha em Setúbal.

A quem passas este inquérito fantástico?
Não tenho grandes ligações daqui, por isso vai ter mesmo de ir para o Ché. Vai meu bro, dá-lhe com alma ;)

segunda-feira, maio 23, 2005

Tu

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Não sei o que pense de ti. Sim, tu que passas na rua. Pensas que por olhares para baixo ninguém te vê? Vejo-te todos os dias, à mesma hora, com a mesma expressão. Não sei porque te escondes. Quase que te consigo ver suspirar. Tão pesados que são os teus olhos castanhos, e tão poucas vezes que os vejo a olhar em frente. Mas quem és tu, gaiata? Como te atreves a invadir os meus sonhos, se ainda nem sequer olhaste para mim? Dás-me raiva. Tu e os teus sapatos velhos enrugados, e as tuas saias de antes-de-ontem, que já ninguém usa. Tu e os teus cabelos negros, tão rebeldes e amarrados à força. Tu e as tuas cores, cinzentas e sujas, gastas pelo tempo. Tu e a tua pele morena... e as tuas mãos tão pequenas que levam esses livros horrorosos. De onde vieste? Para onde vais? Diz-me qualquer coisa, dá-me um sinal que estás viva e não te arrastas simplesmente para a forca. E hoje vieste com olhos em lágrimas. Não tens o direito. Mas quem és tu? Porque estás tão triste? Diz-me por favor... já não suporto ver-te assim. Olha para mim. Uma vez na vida, ergue-me esses poços de solidão sem fundo e procura-me. Estou aqui, tão perto... será que não me sentes? Porque eu só te sinto a ti. Junta só um pouco de força, e levanta-me esse queixo! Que raiva! E pronto, viras-me as costas. É o que mais vejo de ti. Devia ter-te dito qualquer coisa. Queria que parasses, me sentisses, e seguisses em frente. Prefiro ter-te assim, e ver-te como te tenho... amanhã à mesma hora.

domingo, maio 22, 2005

Secret well kept

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Não sei o quão conhecido é este blog, mas aqui fica a sugestão. Todas as semanas, são enviados postais de todo o mundo para o seu autor, com segredos que a boca humana não arranjou coragem para falar. O resultado? Um turbilhão de sentimentos, por muitas vezes obscuros, que tão bem nos definem.

Podes emprestar-me um ouvido?

sábado, maio 21, 2005

Baile de Finalistas - 2005

Aqui vão algumas das fotos, como prometi =)

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Esta foi à porta da casa da Joana (fez falta sim senhor) mesmo antes de irmos para o baile


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A Patrícia e a Sofia (bruxa má do Oeste)... muito giras e a representar muito bem o nosso curso.


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Eu e a minha madrinha, linda como sempre ;)


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O grupo antes de entrarmos para a tenda... reparar na Patrícia e no seu sorriso malicioso... pudera, os futuros marketeers todos ali juntos *cough* [yap foi disso, os "marketeers"]


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O Noras e a Sofia, sempre bem dispostos, a brindar a...


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O Noras, como ele gosta [nos meus braços lool]...

Se não lhes consegues ganhar, junta-te a eles

Hoje foi um dia... preenchido. Aconteceu tanta coisa que achei melhor escrever para ver se não me esqueço.

Acordo, descubro que tinha pontapeado durante o sono a minha garrafa de água com tanta força que a amolguei irremediavelmente. Água por todos os lados, é claro. Isto de ter uns solavancos durante o sono acontece-me uma vez por ano, calhou lá estar a garrafa.

Ligo o PC, tenho alguns mails na caixa de correio. Um, de uma amiga holandesa que já não via há muito (sinceramente pensava o pior já), mas que afinal só tinha ido de férias e se tinha esquecido de me avisar. Boa! Noutro, uns amigos meus australianos estão a recolher umas assinaturas virtuais em honra de umas amigas gémeas que faleceram o mês passado num acidente de carro ;( querem oferecer as assinaturas aos pais... que devem estar a sofrer para muito além da conta de qualquer ser humano. Tenho muitas saudades delas e da sua boa disposição... e aquele sotaque era simplesmente maravilhoso. No último mail, seguia uma resposta de colega meu em Helsínquia, que pelos vistos encontrou o seu pai de surpresa... a trair a sua mãe com uma suposta secretária. Suposta, porque afinal ele tinha uma família paralela naquele país. Quem não acredita nas telenovelas, que comece a acreditar. Por último, alguém havia adicionado o meu contacto ao MSN ;). Já não tinha um acordar tão preenchido desde fui dormir à praia depois de sair do trabalho, e acordei rodeado daqueles grupos de crianças que costumam ir à praia de manhã :P.

Saio de casa, perco o autocarro por escassos segundos. Quem me mandou ligar o PC? Chego à escola, vai de tentar fazer o projecto... mas a pessoa que me adicionou ao MSN entra e "perdemos" ali alguns minutos a falar =). Coincidências... acabo de almoçar, vou para a Associação de Estudantes para me perder um pouco nos jogos de cartas, mas acabo a corrigir um trabalho de uma caloira que tem tanto jeito para escrever como eu tinha no 5º ano. E qual foi a paga? Deu-nos um contacto de um casting para fazermos de figurantes no "Morangos com Açúcar" na praia de Tróia nas próximas semanas... de certeza que esta seria das últimas coisas que me imaginaria a fazer na minha vida, mas depois de ter feito praticamente tudo o que havia para fazer, acho que só faltava mesmo isto. Poucos minutos depois já tinhamos tudo acertado. Esta terça e quarta que vem vamos ser pagos para passar o dia na praia... às vezes penso se não seria esta a profissão ideal.

Saio da escola, e a convite de uns amigos, fui comer uns caracóis. Já fazia um ano que não lhes tocava, souberam-me muito bem. Mas o melhor do dia ainda estava para vir... destes episódios só temos um na vida, e nada melhor como partilhar isto com alguém... entro no autocarro (em plena hora de ponta) e, para surpresa minha, o autocarro está completamente vazio. Arrancamos, comigo, o motorista e mais dois gatos pingados lá à frente. Na primeira paragem, entra a personagem mais caricata que já vi na minha vida. Uma miúda, à volta dos seus 16 anos, vestida de uma maneira tal que nem dá para descrever. Parecia que tinha saído de uma animação, daquelas onde se brinca com o fogo, se faz malabarismo, etc. Mais o mais engraçado ainda estava para vir. Começou a imitar o trote de um cavalo... com a língua. Fiquei literalmente perplexo. Sentou-se na fila de cadeiras ao meu lado, e ali ficou, a trotear, por uns largos minutos. Já não sabia se havia de me rir ou de chorar, porque aquilo estava realmente a entrar-me pelo sistema nervoso... já estava de cabelos em pé quando olhei para ela com um ar ameaçador "Ou paras ou...!!", mas ela estava tão entretida a dar uma volta com o seu cavalinho que olhou para mim, sorriu, e por ali continuou às trotinadas. Aquilo só mesmo visto. Depois de quase 15 minutos de um trotear ensurdecedor (até o motorista olhava pelo espelho), eu já lançava raios pelos olhos. Ainda pensei, "vou-lhe berrar para parar, não vai ter remédio!", mas lembrei-me de uma estratégia diferente... se não os vences, junta-te a eles! Comecei a bater com os pés e a bater com as mãos no banco da frente de tal forma, que aquilo lá atrás mais parecia já uma tenda de rave no meco às 6 da manhã. A miúda ficou literalmente aparvalhada. Não só parou de trotear, como ainda teve o desplante de olhar para mim como se eu fosse um atrasadito mental! A lata! Mas eu já tinha ganho :P calou-se ou não calou-se?!

sexta-feira, maio 13, 2005

Parar de crescer

Lembro-me de tão pouco antes dos meus 16 anos. Aqueles anos gloriosos de escola onde me resumiram tantos dias de adolescência, cabem numa gaveta com as mesmas recordações de perseguições pela escola, porrada no autocarro, e dias a esconder 100 paus para poder comer qualquer coisa quando tivesse fome. Até ao dia que jurei que nunca mais iria ceder, e parei de ser perseguido. Olhava para mim mesmo no espelho, orgulhoso de finalmente me conseguir defender, mas ao mesmo tempo tão zangado por ter demorado tanto tempo. Furioso por não ter respondido, de não me ter erguido do chão e cuspido na cara de quem cercava cobardemente "Porque não cresci mais cedo?". Já perto da saída daquele monte olimpo, onde os deuses eram negros, e depois de algumas "namoradas", acabava o meu 12º ano. Não fazia a mínima ideia do que era o amor, por isso não tinha sofrido muito. Mas havia quem soubesse, e mo quisesse mostrar. Demorei tanto tempo a perceber... ela gostava de crianças, cuidava delas para quem não tinha tempo. É a primeira coisa que me vem à cabeça quando me lembro dela. Não era uma pessoa incandescente, pelo menos era isso que me diziam. Mas os dias passavam e aparecia cada vez mais linda aos meus olhos. Tudo nela me fazia sentido, me atraía. Mas a minha superficialidade acabava sempre por escolher outra pessoa. E então recusei a primeira pessoa de quem verdadeiramente gostei, e que gostou de mim. Mas eu era tão novo... ensinou-me que as mulheres eram mais do que maquilhagem e saias justas, mais do que uma cara bonita e cabelos reluzentes. Queria ter crescido um ano mais cedo porra. Mas não cresci. Aterro no canudo um ano mais tarde, já bastante longe da pessoa que fui. Os meus antigos amigos já nem me reconhecem. "Andaste a comer o quê rapaz?". E foi a última vez que os vi a todos, tão distintos que foram os nossos caminhos. Tinha começado uma vida nova, cheia de novidades. Pensava que tinha crescido para fora da minha superficialidade, quando a viúva amarela me apanhou. Não lhe podia chamar de negra, porque de escura e misteriosa não tinha nada. Encontrou-me, quando numa aula de economia descobrimos ter o mesmo passado de macaquices no trampolim. Ela namorava com um espadarte, uma relíquia de popularidade que mal metia os pés na escola. De tanto falarmos piscou-me o olho, em plena aula de análise matemática, ironia das ironias, às quais eu só ia para estar um pouco mais com ela. Parecia-me impossível. Uma das mulheres mais lindas que já tinha visto queria estar comigo. E assim caí de quatro, ansioso para ver onde me levava. Foi curto o caminho, vá se lá saber porquê. A ela chamavam-lhe de puta, por mim torciam-se cotovelos e sorrisos como uvas maduras no chão. Foram umas curtas 4 semanas que passaram tão depressa e com tanta intensidade, que podia ter sido um dia, uma tarde na praia. O que ela queria de mim, eu não estava disposto a dar, por isso não valia a pena, reza a estória. Pela primeira vez provei o sabor amargo da decepção, cujo travo ainda hoje sinto na boca, como se mo tivessem queimado à força para mais tarde recordar. "Pelo menos sei que estou vivo", pensava. Pudera, todo o meu corpo vibrava de cada vez que a via. De cada vez que lhe sentia o cheiro do cabelo. Mas onde estava o resto? Porque não senti por ela aquilo que me chegou tão tarde uns tempos antes? E foi assim que me curei. Upa, mais um pulo. Cresci, mas mais uma vez arrependido. Devia ter percebido à partida que nunca iria resultar. Foram passados alguns meses, frustrado por não conseguir ultrapassar de vez a minha superficialidade - só podia ser superficial, se não me atraiam mais do que caras lindas, certo? tão errado - por isso, vai de cair noutro buraco. Encontrei uma pessoa tão linda por dentro, que seria impossível não me apaixonar por ela. Comecei a namorar convencido que tinha feito a escolha certa. E ela era de facto linda. O seu carinho para com os outros, a sua honestidade, lealdade, e os seus princípios deixavam-me boquiaberto. Mas que estúpido meu deus! Então e tu Mauro?? Esqueceste-te de te apaixonar por ela foi??? Isso já não interessava. Ela era tudo o que um homem pode querer numa mulher. Amava a pessoa que ela era para o mundo, detestava a namorada que era para mim. E tratei-a tão mal, pobrezinha... não lhe admitia que não me quisesse, que não me desejasse. Acabei por lhe provar o quanto eramos diferentes. Não tive coragem para fazer o que ela acabou por fazer comigo, quebrando-me ainda assim em dois. Tinha-a perdido de vez. Sensação horrível, esta de se perder alguém com que se passa tanto tempo. É como se nos levassem metade de nós com a promessa de nunca mais a vermos. Custou-me tanto... foda-se que puta de dor. Desculpa-me C... sabes que te amarei para sempre, à nossa maneira. Nos entretantos da nossa longa estória, eu não tinha parado de sonhar com o que me faltava. Todas as noites imaginava-me a saltar de pedra em pedra, no escuro dos meus desejos mais íntimos, como símbolo da minha falta de pontaria. Faltava-me aquela pedra, onde eu pudesse aterrar os dois pés. Já tinha provado a atracção pura, e o amor interior, mas em pedras diferentes. Que merda esta, que falta de coordenação a minha... seria impossível? Teremos nós que nos agarrar a uma delas e construir a outra a partir daí? Tive a minha resposta rápido demais. Alguém me queria provar com uma pressa desgraçada que estava errado. E então na puta do charco que me rodeava, no meio da água estagnada e juncos apodrecidos, estava o meu próximo pulo. Upa, lá fui eu de novo. Mas era tão cedo... pensava que tinha crescido para fora da mim, e arrisquei tudo o que tinha. Pode-se dizer que nos atropelámos um ao outro. Passei-lhe a factura do que tinha sofrido com a C, e ela mostrou-me os recibos do seu ainda recente namoro. Discutimos como se nos conhecessemos há anos, como se soubéssemos exactamente o que fazer para não sermos magoados. Puta de psicologia, parámos de o fazer. A terra tremeu, mas já tinha parado. Foi então que a vi pela primeira vez. Olhavamo-nos como se nos conseguissemos ver por dentro, como nada que tinha vivido até então. E pela primeira vez na minha vida, apaixonei-me. Nunca na minha curta vida fui tão feliz! Como era possível meu deus, sentir tanta coisa ao mesmo tempo... era mais do que alguma vez tinha desejado. Chegava a casa e continuava a rir-me como se ainda estivesse com ela, incrédulo com o tempo que tinha perdido. Gritava a quem me quisesse ouvir que estava disposto a lutar por ela até ao fim, mesmo com a sua partida para o estrangeiro para estudar um semestre. Nada disso me metia medo... mas já ansiava pela sua volta mesmo antes de ter partido. Não tive coragem de lhe pedir para ficar, uma das poucas coisas que lhe fiz bem. E assim vi-a partir no avião, sabendo por dentro que a nossa estória estava perto do fim. Estava ciente, quando nos despedimos, de que poderia ser aquela a última vez que lhe tocava, a última vez que lhe beijava. E acabou mesmo por ser a nossa despedida. Gostava de a ter abraçado mais um pouco. Gostava de a ter confortado mais uns minutos, só mais um bocadinho. Assim, e sem mais nada para me goste de lembrar, fico com tudo o que me deu até sair a voar de ao pé de mim, enquanto tive perdidamente apaixonado. Parem-me de me pedir para a esquecer. Até morrer, vou lembrar-me de ti M. Vou saber que foi por ti por quem me apaixonei, e vou lembrar-me de todos as tuas pequenas coisas antes de fechar os olhos, e passar para o outro lado, convencido de que já tive tudo neste mundo. Por enquanto, vivo por cá. Que me perdoem aqueles que se tentam aproximar e não conseguem. Deixem-me pular até vocês, se for aí parar à vossa pedra. Eu não posso escolher quem amo.

quarta-feira, maio 11, 2005

Ao meu lado

Dizes-me para me esquecer e olhar em frente. Para desunhar o passado deixá-lo ir. E se eu não quiser? Caramba serei o único a ter memórias? Gostava de te ver por dentro, meu irmão. Gostava de te ver e pisar cada uma das memórias com as quais te martirizas dia após dia, para te olhar nos olhos e me dizeres que já é passado. Ficou para trás, mas nunca vai desaparecer. Nenhuma fada de condão ou gata borralheira com dois palmos de saia te vai fazer esquecer de quem amaste. Esperneia o que quiseres, vais ter que viver a dois a vida inteira, mesmo quando estás sozinho. Tenho medo que cada vez que te agarras a essa liana colorida, e te balanças para trás e para a frente, para os lados, inconsequente, apenas tentes esquecer a puta da árvore de onde te lançaste. Menina da tua vida ou não, de onde partiste um dia vais voltar. E vais esborrachar a tua cara porque tentas de tal forma esquecê-la que já não vês um palmo à tua frente. Esquece o que te disse, irmão. Desculpa se te aconselhei mal. Lembra-te dela à vontade, mas não percas tempo a chorar. Isso não. Se a amaste, agradece-lhe isso. O quanto foste amado, não precisas de saber. Isso sim, não te interessa mais. Existe alguém disposto a fazê-lo de novo por ti. Só assim consigo dormir, para tua informação. O que eu nunca tive, consegui ter por breves instantes. Raios me partam se me vou esquecer disso. O que veio depois, carrego noutro lado. Deixa-o estar. Vais ver se não me faz falta.

sexta-feira, maio 06, 2005

Carril nº 1

Os carris mudaram a minha vida. Não tenho força para escrever mais sobre isto neste momento, mas pode-se dizer que depois de ter descarrilado, começo a desconfiar da construção dos carris.