Oásis

Ontem. Terça-feira, 24 de Maio de 2005.
Já não me lembro de ter direito a dias assim. Um verdadeiro oásis dos tempos que me correm. Às 8:15 lá estava eu no barco a caminho de Tróia, com o Carlos, Diogo e Sofia. Destino: filmagens do Morangos com Açúcar: Férias de Verão [whatever]. Um dia cheio de sol, maresia, futeboladas e... ocasionais cenas para filmar - vamos aparecer em 3 ou 4 cenas daquele episódio. Um dia de praia tão completo que as 12 horas que lá passamos não nos pareceram assim tanto. Há quem já nos chame de famosos, mas prefiro o adjectivo "sortudos". Dias assim não caem do céu. E nada como um último mergulho já no cair do sol, quando já ninguém se atreve a meter os pézinhos na água, para finalizar um dos melhores dia de praia que já tive. E a travessia de volta para Setúbal... uma brisa morna que nos afaga a face e o corpo moído. Uma sensação de bem-estar extasiante, e o saber que o dia ainda nem sequer começou.
Atrasado, chicoteei os cavalos da carrinha para ver se me levavam o menos envergonhado possível ao jantar que havia marcado. Pelo caminho, a música quente dos Da Weasel que passava na rádio contagiaram-me a carrinha - é tão influenciável- , que não teve outro remédio senão dar uns passos de dança pelo meio do trânsito, sob o olhar atento [assustado] de por quem passávamos sem pedir licença. Passávamos, porque a carrinha tinha ganho vida. E dei-lhe o prazer de uma volta mais longa, só para matar saudades dos tempos muito mais atribulados que passamos, antes que seja vendida a alguém que não vai fazer ideia da história que aquelas quatro rodas têm para contar. Cheguei ao jantar, à pressa e com uma pequena surpresa para a minha anfitriã, para lhe compensar o tempo que havia esperado pelo término das malditas filmagens. E que jantar... benditas sejam as artes culinárias de quem tem gosto de cozinhar para si e para os outros. Apreciei cada momento, sugando sem qualquer preconceito a cumplicidade de uma amizade já longa e tão valiosa.
E a noite tinha caído, de tão escuro que se tornara o céu. O Quim Barreiros esperava por nós, não o quisemos fazer esperar! Entrámos com uma garrafita do bom do Moscatel de Setúbal à socapa, porque aquele era o único veneno que havíamos decidido tomar o resto da noite, a respeito pela sobriedade necessária para aproveitarmos o que nos faltava e pela vida que tanto nos faz falta, quando precisamos de chegar a casa inteiros. E que bailarico! Dancei tanto e com tanta gente que só me lembro de rir em cada passo que conseguia acertar, pois parecia que os deuses da boémia me queriam recompensar pelo dia que tinha vivido. "Vês? A vida não é tão má assim, rapaz!" E aqui estou eu, a tentar descodificar em palavras a enorme felicidade que me ofereceram quando me conceberam, e quando mais tarde me tiveram. Obrigado pais!!

