A descer todos os santos ajudam
Quando criei este blog... ao princípio não sabia o que lhe acrescentar, pensando que afinal não teria grande coisa para dizer. Aos poucos e poucos, apercebi-me que cada pedaço de mim é como um capítulo, ansioso por ser escrito ao pormenor. Vocês têm lido um pouquinho de quem verdadeiramente sou, post após post, texto após texto, desabafo após desabafo. Pois seria então injusto da minha parte escolher as partes que exponho, e as partes que meticulosamente prefiro esconder. Injusto para mim, porque me minto a mim mesmo, e para vocês, que vêem apenas aquilo que eu quero mostrar. Pois bem, este é o meu espaço, e este sou eu. Nem mais, nem menos. Não tenho que me sentir envergonhado.
Ontem, Quarta-feira dia 8-06-2005, bati no fundo. Estava na escola, a tentar fazer um trabalho. Tinha acabado de almoçar com o meu mano, quando me comecei a sentir mal. A verdade, é que tinha acabado de ler coisas que tinha escrito para alguém há muito tempo tempo atrás. Queria apagá-las do disco rígido, de uma vez por todas, como tenho tentado fazer com tudo o resto que me lembra dela. O meu corpo resistiu... acabei por não conseguir apagar. Mas eu já estava demasiado cansado. Demasiadas horas a trabalhar em pé num congresso, trabalhos para fazer, projecto em atraso, estágio importante que tive de recusar... e perdi conta de mim. O almoço maravilha no Mac também não terá ajudado, dizem as más línguas. Pela primeira vez na minha vida senti o meu sistema nervoso a tomar conta de mim. Chorei compulsivamente, enquanto perdia lentamente as forças que ainda me restavam. É isto que significa ser fraco? Não me digam que não, porque eu naquele momento deixei-me enfraquecer. E não me apercebi do que me estava a acontecer... quando perdi os sentidos, caindo nos braços do meu mano, sempre lá para me amparar a queda. Dos pedaços que me lembro do resto, fica a vergonha de não ter conseguido evitar mostrar aos meus melhores amigos o que menos queria mostrar de mim. Fica a vontade de quem quis ficar junto de mim, e de quem teve os nervos de aço para, depois de uma directa a trabalhar para a escola, ainda teve a coragem para terminar o trabalho que eu não consegui completar. Ficam também as mãos carinhosas de quem me acordou, já fora da escola, enquanto esperava pela ambulância. Completos desconhecidos/as que se dispuseram a ficar do meu lado, para que não me deixasse ir de novo. Não me lembro das suas caras, mas há quem se lembre. E quando as vir, não se escapam a um abraço de vergonha e... do mais sincero agradecimento.
Aqui estou eu, contudo, para o que der e vier. A partir de agora... é sempre a subir.


