terça-feira, junho 07, 2005

Picasso, também tu?

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Estou cansado. Tenho medo do que decida fazer numa destas manhãs. Quantos planos não fiz já para desaparecer, farto que estou de me amarrar ao triste cais que se tem tornado a minha vida. E assim continuo, sem reacção para me mexer. À primeira vista, não me posso queixar. Sempre tive tudo o que quis, mas também nunca quis muito. Fui ensinado a querer o que me chegava, aquilo que podia ter. Talvez tenha de agradecer isso a alguém. Estou quase a acabar o curso, mas bem que podia ser o primeiro ano. Estou tão longe de o terminar como há 4 anos atrás, quando cheguei à escola preparado para mudar a minha vida. Hoje ia na autoestrada e vi uma placa que dizia “Espanha”. Se não fui, culpo a minha mãe, quem amo mais do que a minha própria vida. É o meu único e verdadeiro rumo, o farol a quem tantas vezes recorro para voltar a casa. Não consigo deixá-la a sofrer desta forma. Mas não ter virado importa tanto como todas as vezes que fiz as malas, para as desfazer no dia a seguir. Se não chega a acontecer, não faz parte de mim. Será? Estou farto de não fazer sentido. Queria recomeçar a minha vida noutro lado, longe do melhor e do pior. É porque é disso que a minha vida é feita. De dias incríveis, que são a pausa da merda que são os outros dias todos. Estou farto de extremos, já não aguento este ritmo. Quero o meio, onde por sinal está a puta da virtude que tanto ouço façar. Onde está? Quero a metade do melhor, ter a porra do copo a meio. Depois logo vejo se o encho, ou se o bebo de vez. Não me serve de nada estar bem disposto. Já parece o desenho irónico do tal balão que sobe em direcção do arame farpado. Nem tenho paciência para postar o link. Desenrasquem-se. Para quê me serve ter um dia espectacular na praia, se no fim penso em todos aqueles dias solarentos que poderia ter tido com ela, mas não tive? Para quê me serve dançar durante seis horas seguidas com uma porrada de mulheres diferentes, se só queria dançar com uma? Para quê me serve ter a lata que tenho para meter conversas com estranhos completos, se ninguém me responde como ela? Para quê sentir que sou olhado, se não são os olhos dela que me vêem? Para quê me sentir desejado, se não é a pele dela que me deseja? Acontece-me de tudo, nos últimos tempos. Primeiro levo umas pseudo-barras engraçadas, parece que me ando a testar a mim mesmo. Chumbei foi no teste, porque não me afectaram minimamente. E não, nesse caso não sou mesmo a raposa de La Fontaine. Serei noutros, mas não nestes. Queria sentir-me magoado com outras, qual criança que se quer deixar picar por uma vespa para ver se dói. Qual quê... estou imune. Depois o inverso. Atiçam-me-se estes pratos exóticos, como se eu tivesse “Esfomeado” escrito na testa. Até uma melhor amiga minha pensava que eu andava a subir as paredes. Isto até tinha piada, se não viesse da boca dela. O pior é que me arrancaram as papilas gustativas. Não me apetece comida exótica. E já não consigo confiar em ninguém. Gostava de culpar alguém, é mais fácil. Mas só me posso culpar a mim. Não vale a pena culpar uma memória. E já nem sei de quem estou a falar, para ser sincero. Lembro-me vagamente de pedaços dela. Tenho a impressão que tenho construído um puzzle perverso, juntando essas peças de recordação. Perverso? Nah. Magnífico. Porque o puzzle é perfeito. Todas as peças se encaixam na perfeição. Todas as noites, desmancho o puzzle e destruo as peças. Depois recrio-as à minha maneira. As peças são completamente distintas, mas o puzzle continua a estar completo. Não será isso o amor? Alguém que me diga. É que senão eu começo a jogar às damas e acabam-se estas merdas abstractas. O Picasso era um amador comparado com o coração partido. Não? Andei 4 meses a dormir tão pouco que já andava em transe diurno. Cansado é uma definição para fracos. Eu andava numa dimensão paralela, onde as autocarros eram berços de embalar e cada cadeira, por mais dura que fosse, era uma cama com um colchão Picolin. Na semana passada comecei a dormir melhor, assim, do nada. Agora perguntam vocês “Então Mauro, já andas melhorzinho então”. [eu espero que vocês perguntem]. Ao que eu respondo “Népias, comprei uma almofada mais alta.”.

14 rebites:

At 8:13 p.m., Anonymous Anónimo martelou o rebite...

"Estou farto de extremos, já não aguento este ritmo. Quero o meio.." que estranho...o meio?..nao me parece nd k um "entre" ajude...de kualker maneira..."Para quê me serve ter a lata que tenho para meter conversas com estranhos completos, se ninguém me responde como ela?" ..nada vai servir de nd enkuanto n deixares de comparar td com "ela" ou com o k podia ter sido, o k podias ter feito...enkuanto lamentas o passado tas a criar um presente k no futuro tb vai ser lamentado...(se é k me faço entender)..tb n importa este bla bla bla td...tu sabes isso de certeza..só falta senti-lo..enkuanto isso n acontece..deixo-te um jinho **

 
At 9:01 p.m., Blogger Mauro martelou o rebite...

Sonhei muitas vezes em ter o que tive, Lana. Um sonho concretizado é a água que transborda pelo copo cheio. Tudo o que alguma quis para mim, esteve ao alcance da minha mão. É como se a tivesse imaginado tantas vezes, que lhe conseguia definir uma forma. Enquanto a conhecia, o lápis deslizava pela folha de papel vegetal, reconhecendo-a aos poucos e poucos de tantas vezes que a tinha sonhado. Ela não teve a culpa de a ter desenhado assim. Nem a responsabilidade de simbolizar tudo o que tinha sonhado até esse momento. Quando digo que comparo tudo com ela, é relativo. Aliás, como todos os meus posts. Ela foi a representação física do que quero para mim. É impossivel não tê-la como ponto de referência, se sempre o foi. O meio é ela. Sem as expectativas. Sem a responsabilidade. Sem o sofrimento.
Não quero querer menos alguém um dia mais à frente. Essa pessoa, a existir, não ia merecer que lhe fizesse isso. Isto tudo nao te tira a razao, contudo. Apenas te tento explicar que as pessoas têm padroes e expectativas, e sempre as irao ter ate ao dia que morrerem.

*

 
At 10:56 p.m., Anonymous Anónimo martelou o rebite...

pois..I know..sei lá..tava so a tentar...err.. nem sei bem o k é k tava a tenatar...esquece.. **

 
At 11:07 p.m., Blogger Mauro martelou o rebite...

sabes que aprecio os teus comentarios, nao sabes? =) se nao o fizesse nao me dava ao trabalho de justificar o que escrevo

**

 
At 11:09 p.m., Blogger Mauro martelou o rebite...

secret: lutar por alguem que nao gosta de nos não é uma alternativa, embora te aconselhasse o mesmo se tivesses na minha situaçao e nao conhecesse os factos todos =)
**

 
At 11:52 p.m., Blogger fuser martelou o rebite...

faço minhas as tuas palavras há uns tempos atrás... o que vale é que andamos os dois em ciclo em extremos opostos... amanhã o dia é outro e tu uma pessoa nova :)
Arrisco a dizer que há coisas que duram para sempre... o que uso no dedo indicador é um exemplo disso... tudo o resto vai e vem com a maré que muda o rio. Tenho andado para escrever um texto com a mesma semântica mas uma sintaxe mais negra... como é apanágio dos meus faods. Tenho agora aqui o perfeito exemplo dos sentimentos que esperava transmitir... fico assim, nas tuas palavras e estendo-te a mão. Sempre aqui.

 
At 12:43 a.m., Blogger Anita martelou o rebite...

Aconselhar-te a lutar seria trair o meu pensamento embora o coração talvez o demonstre... para esquecer seria mostrar incapacidade de sentir e entender o que sentes... Só me resta deixar aqui miminhus e que tenhas calma e esperança de um dia melhor.

*Miminhus* e Coragem!

 
At 1:35 p.m., Blogger Rita martelou o rebite...

Mauro, adorei o teu texto, tão forte, cheio de vitalidade, tão sentido e tão sofrido, ao mesmo tempo. Queria dar-te palavras de alento, mas só o tempo e o que ele se dispuser a dar-nos, em acontecimentos e pessoas, juntamente com a nossa vontade convicta, é que resultam na busca que é encontrar espontaneamente esse sagrado e tão precioso Graal... Estou aqui, para o que for preciso.
Beijo,
Rita

 
At 3:25 p.m., Anonymous Anónimo martelou o rebite...

Gostei muito de te ler :)) A vida é feita de carris , uns algures se ligam outros algures se separam. Mas que consigamos manter o equilibrio e nunca abandonarmos...pelo menos o nosso. Beijo grande

 
At 4:16 p.m., Blogger Inês martelou o rebite...

Tanta coisa para dizer sobre este texto... Sem evitar sentir-me uma intrusa comento so' o seguinte excerto: "Queria recomeçar a minha vida noutro lado, longe do melhor e do pior."
Por experiencia propria, digo-te que mudares de local nao apaga nada. Alias, levas toda a tua bagagem contigo e torna-se ainda mais dificil, porque tens de lidar com tudo 'a distancia... Todos temos que lidar com os nossos fantasmas, mais cedo ou mais tarde.
Continua a apoiar-te nos teus bons amigos e familia. E mantem a esperanca de que as coisas vao melhorar. :)

 
At 7:12 p.m., Blogger Mauro martelou o rebite...

ines, nao te considero de forma alguma intrusa por aki, afasta la isso do teu pensamento. =)

obrigado guida, rita e sylpha pelas vossas palavras no meu canto =)

 
At 3:26 p.m., Blogger Rosa Cueca martelou o rebite...

Estou a ouvir a creep dos radiohead e a pensar na conversa que estávamos a ter há pouco sobre as pessoas encontrarem-nos.
Se calhar só te podem encontrar quando quiseres mesmo ser encontrado.
Porque não basta querer, temos de deixar, será que deixarias? porque até no meio de comida exótica se encontra comida boa que vale a pena, que não é superficial ou fugaz. O problema está em quando vemos o que nos rodeia generalizadamente, deixamos de ver pessoas, para ver caracteristicas gerais.
...e desanuviar faz bem.
areja, praia, amigos :) e um beijinho grande claro :P

 
At 5:52 p.m., Blogger Sara martelou o rebite...

Olá!... Lia-te e esta resposta tua: " lutar por alguem que nao gosta de nos não é uma alternativa, embora te aconselhasse o mesmo se tivesses na minha situaçao(...)"
Percebo-te tão bem... Ainda sonho muito com o passado! POr vezes deixo-me fracassar e cair, mas depois... Continuo aqui!

Sem saber nem tão pouco conseguir explicar o porque!


Outra frase tua, que me chegou ao coração...

:" Tudo o que alguma quis para mim, esteve ao alcance da minha mão.",...

Sabes? irónico é que tive mesmo e na altura nem liguei...

Agora que quero e que vejo o quanto me falta aquele bocadinho de algo na mão, vejo que, com a brisa, ele voou...

Para longe...


Beijo... Gostei muito mesmo de te ler! :) Voltarei...

Compreendo-te!

 
At 11:19 a.m., Anonymous Anónimo martelou o rebite...

Fiquei estupefacta. Li tudo, li-te e li-me nas tuas palavras. Esse cansaço, as más noites, a vontade de desfazer tudo o que somos e temos e ir fazê-lo melhor, do 0, para um sitio diferente... são pensamentos e sentires recorrentes tb na minha vida. Ás vezes é bom deitar uma uma parte cá para fora, eu pelo menos sirvo-me da escrita para tudo. Se não o posso dizer a um 'salvador' que imagino (e q tlx nem seja tão real como gostaria) digo-o para o papel, para um ficheiro de word ou para os blog's. E no final há um minimo de alívio. Não devemos desistir das coisas a não ser que tenhamos a certeza absoluta que elas já não valem a pena. O mesmo para as pessoas/relações. Mas quem sou eu para aconselhar? A minha validade é nula porque estou imensamente perdida...

Mas olha, fica a melhor das intenções,

Beijinho de força e ânimo **

 

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