domingo, junho 26, 2005

Viagem ao subconsciente... more please =)

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Cheguei ao topo da colina do que parecia ser a rua mais longa que alguma vez vi. Bastante cansado, olho para baixo e vejo o que me espera. Uma descida enorme, num alcatrão já velhinho, parte a cidade em dois desde o cimo da colina onde eu estava agora, até desaguar no rio, uns bons quilómetros lá em baixo. O vulto sem face que estava ao meu lado incitava-me a deixar-me ir de uma vez por todas. "Vá lá, deixa-te de merdas!" E eu ria-me, na possibilidade de o fazer. Dou uns passos atrás para tomar balanço, como se tal inclinação precisasse de velocidade extra. Sinto-me a inspirar fundo umas quantas de vezes de seguida. "Vai!" E lanço-me numa corrida desenfreada, com o coração a um ritmo alucinante, na direcção da descida. Quando dou por mim, já me havia atirado de mergulho contra o alcatrão, sem saber muito bem o que raios estava a fazer ali sem um meio de transporte decente. Qual prancha de skate, qual bicicleta, qual quê! Era o meu corpo que se preparava para provar a áspera textura do alcatrão remendado. Mas em vez de bater de chapa na estrada, acabando em tempo record a estória que aqui deixo, o meu corpo fica a pairar centímetros acima do chão, descendo os primeiros metros da rua. "Mete os braços para trás!", foi o último comentário que lhe consegui ouvir. E meti. Com o corpo estendido, com os braços esticados para trás, comecei a sentir o vento a bater-me cada vez com mais força à medida que comia os metros da inclinação e aumentava de velocidade. A única coisa que conseguia ouvir era o jogo que o vento fazia com o carros estacionados, quando por eles passava sem conseguir lhes ver sequer a cor. Estava a voar... de uma forma bastante precária, entenda-se... mas estava a voar. Só a meio me apercebi do quanto me estava a divertir, e um sorriso enorme nasceu-se-me na cara. Comecei a ficar mais descontraído, e apesar de estar um pouco confuso com o que se estava a passar, parecia-me que já tinha feito aquilo umas boas centenas de vezes. Já a uma velocidade estonteante, vejo o rio a aproximar-se de mim com uma pressa pouco aconselhável, e penso como raios vou travar. Por as patinhas no chão nem pensar, e o sorriso depressa se me desapareceu da cara. Não conseguia ver muito bem os obstáculos que me separavam do rio, mas tive de confiar no meu instinto masculino = fechei os olhos e rezei aos deuses. Que familiar... abro os olhos, em sobressalto. Estou a respirar que nem um doido, mas apercebo-me que tive mais uma vez aquele sonho. Começo-me a rir sozinho, deixando a cabeça pousar de novo na almofada. "Pode ser que da próxima vez eu não feche os olhos", pensei. O sonho acabava sempre ali.

sábado, junho 25, 2005

Despedida

O soldado chegara finalmente a casa. Depois de 5 anos a combater pelo seu país, estava finalmente à porta da sua aldeia, carregado com toda a tralha que lhe sobrara das suas desventuras pelo sul de África. Parecia-lhe impossível estar ali, onde tantas vezes se imaginara a chegar durante as noites passadas no inferno das selvas do Congo. O autocarro dera meia volta, pois era ironicamente aquele o seu último destino. Ficava ali portanto aquele vulto, sem coragem para dar os passos finais para reencontrar a vida que deixara para trás na terra onde havia nascido. Onde estaria ela? O que estaria a fazer naquele momento? Estaria sentada no alpendre numa cadeira, à espera do seu eterno amante? Que egoísta lhe pareceu ser, pensar na mulher que amava, naquele momento. Sim, que os seus pais também lhe sentiam a falta. Teriam porventura sofrido mais do que o próprio filho, mesmo sabendo que a dor que passara nas mãos dos rebeldes o iria deixado marcado para sempre. Mas só a ideia de a ver de novo... de lhe ver o olhar, de lhe sentir o abraço, de lhe amparar as lágrimas de saudade... nem mais um segundo sem a ver. Nem pensar. Quando deu por si, já estava a andar de novo. O seu corpo cansado sabia muito bem quem queria ver primeiro. Não precisou de pedir licença à consciência. Percorreu a rua principal. As casas estavam praticamente na mesma. A mercearia continuava a precisar de uma pintura urgente, o café já nem a velha placa com o seu nome tinha. Reconhecia algumas das pessoas, mas haviam por ali caras que via pela primeira vez. Sentiu-se observado. Não tinha avisado a família que ia chegar. De facto, desde que a sua unidade tinha caído nas mãos dos rebeldes, no ano anterior, não tinha entrado em contacto com ninguém. Senão tivesse fugido com alguns dos restantes prisioneiros, ainda hoje lá estaria, provavelmente no fundo de uma vala qualquer. Viu a loja da irmã, que estava aberta. Estava a morrer de saudades dela, mas não foi capaz de parar. Queria vê-la, agora. E fez um pequeno desvio para que não fosse visto. Mas sentiu que cada vez mais as pessoas paravam no meio da rua, reconhecendo-o. Nenhuma delas foi capaz de dizer alguma coisa. Pareciam ter visto um fantasma. E assim se arrastou lentamente pelas ruelas que tantas vezes havia percorrido durante a sua adolescência, de mão dada com a rapariga mais linda da aldeia. De olhos pregados no chão, soltava um riso de nostalgia cada vez que se sentia passar por um dos muitos cantos onde se escondiam, para ali ficarem horas sem conta, por vezes só para estarem juntos longe dos olhares coscuvilheiros das senhoras que ficavam à janela a tarde toda à espera que um porco passasse de bicicleta. Tantas foram as vezes que lhe secara as lágrimas depois das discussões com o bêbado que era o pai dela. Tantas foram as vezes que se deixara adormecer com a cabeça no colo dela, que lhe acariciava o cabelo de uma forma tão pacífica e ternurenta. Tantas as vezes que falavam das coisas mais estúpidas que podiam ser discutidas... o número de sapos no charco perto da aldeia, as cuecas rosa da padeira penduradas no estendal... tudo era um potencial alvo de uma extensa troca de argumentos. Tantas estaladas que havia levado, por gozar da roupa que ela vestia, que lhe fazia parecer uma boneca pintada. Ele insistia que ela viesse de calções e sapatilhas, porque de contrário não corria nada de jeito, e fazia-o perder tempo quando assaltavam as laranjeiras do terreno do Sr. Manel. Mas a mãe dela insistia em lhe vestir uma escolha de saias ridículas, mais que não fosse pela incompatibilidade das mesmas com os muros altos e com o chão sujo dos cantos que haviam reclamado para si mesmos. Quando vinha com a cara pintada então, era o cúmulo. Ele andava sempre com o mesmo trapo no bolso do casaco, que só usava para lhe limpar a cara quando a mãe dela a usava como boneca de testes para os seus cremes e tintas vindos do inferno. Dobrou a última esquina. Sabia que estava a uns meros 78 passos de adolescente da casa dela. Olhou em frente, e viu a roupa pendurada no quintal, como de costume. Recomeçou a andar, com o coração a bater-lhe tão rápido que lhe parecia querer rebentar com o peito, para chegar lá mais depressa. Fixou a entrada da casa e riu-se para si mesmo ao aperceber-se que ainda estava a contar que ela tivesse na cadeira debaixo do alpendre, a tricotar a maior camisola do planeta, de tanto tempo à espera do valente soldado, que fora combater os inimigos da pátria. Parou em frente do pequeno portão de madeira, paralisado com a ansiedade de a ver surgir a qualquer momento. A sua voz queria gritar o seu nome, mas enquanto tentava sequer abrir a boca, ouviu um riso na parte detrás da casa. Era ela. Quase que perdera o controlo de si mesmo, enquanto o som da sua voz de anjo lhe fazia tremer todos os centímetros do corpo, de tantas saudades de a ouvir. As lágrimas correram-lhe pelo rosto, enquanto tentava coordenar esforços para abrir aquele intransponível obstáculo que se tornara o vil portão da frente. Alcançou a ferrolho por dentro, abrindo finalmente a última porta que o separava dela. Entrou e dirigiu-se lentamente à parte de trás da casa, onde ainda ouvia os risos dela. Antes de dobrar o canto norte da casa, respirou fundo, limpou as lágrimas, e esgueirou lentamente o seu corpo para onde a pudesse ver.
E ali estava ela... o turbilhão de sentimentos que lhe varreu por completo a capacidade de pensar em condições fora tão intenso, que pensou ter cegado por alguns momentos. A alegria corria-lhe pelas veias como uma criança pelas divisões da casa para chegar à generosa árvore de Natal, e à promessa de milhares de prendas só para ele abrir. Mas ela não estava sozinha. Deitado na relva a alguns metros, encontrou o que ele imediatamente saberia ser o homem que mais iria odiar na vida dele. De olhos postos nela, enquanto dançava com uma das saias que tanto lhe pedira para não vestir, nenhum dos dois reparou que tinham companhia. O sorriso morreu-se-lhe da cara tão depressa como havia nascido, e por um momento pensou que ia perder os sentidos de tanta dor que estava a sentir naquele preciso instante. A forma como ela se ria para o homem deitado na relva era pior do que todas as torturas por que havia passado no meio das selvas africanas. Perdeu as forças, deixando cair o pesado saco que carregava ao ombro no chão, com algum estrondo. Ela parou. Olhou primeiro para o saco... e percorreu lentamente de baixo para cima o corpo do soldado que havia lutado tanto para esquecer. Todas as noites que havia chorado, trancada no quarto, a repetir a si mesma que ele teria morrido, passaram-lhe pelos olhos como se lhe tivessem comprimido a dor que lhe havia quase roubado o sopro da vida, por demasiadas vezes. Quando lhe reconheceu os olhos, ia jurar que o seu coração havia parado por breves instantes. Apercebeu-se que não estava a sonhar. Ele estava mesmo ali, depois de tantas vezes ter imaginado aquele momento. Depois de tantas vezes que se ensinara a esquecê-lo. Mas a vontade de lhe correr para os braços e lhe dar um milhão de beijos de saudade foi bruscamente interrompida pela realidade do presente. Olhou para o seu noivo, prostrado no chão, que olhava secamente para o que seria concerteza o soldado mais solitário do planeta. Soube de imediato que seria impossível existir pior dor no mundo do que aquela sobre o seu eterno amor de criança, que finalmente chegara a casa. Procurou-lhe de novo os olhos, mas encontrou apenas dois buracos negros sem qualquer expressão que lhes pudesse reconhecer. Já não lhe apetecia correr para os seus braços. Tinha medo. Começou a chorar, perdendo o pouco controlo que ainda detinha de si. Estendeu-lhe a mão, à medida que se aproximava lentamente do rapaz que sempre amara mais do que a própria vida. Ele recuou. Tanto que lhe queria dizer... mas as palavras atrapalhavam-se umas às outras antes de serem sequer proferidas. Abriu a boca mas nada mais do que a força invisível dos suspiros da alma se lhe escapava pela língua, enquanto se apercebia o quanto distante estava o seu amor. Quando lhe estendeu de novo o braço, em busca do conforto que tanto lhe fazia falta, ele recuou de novo. Aquela sensação horrível de falhar o que se tenta alcançar, como se a tivessem empurrado de um precipício e sentido as suas mãos a falhar por centímetros a última pedra a que se podia agarrar, deixou-a completamente de rastos.
As lágrimas correm-lhe pela face, enquanto tenta dizer o seu nome, pedindo-lhe que lhe deixe dar uma explicação... pelo menos que tente compreender. Ele levanta o braço, parecendo querer alcançar algo no bolso. "Diz qualquer coisa...", reunindo todas as suas forças. Ele tira a mão bolso, com algo dentro do seu punho cerrado. Olha para a mão durante alguns segundos. "Não chores mais, linda. Eu compreendo." Aproximou-se dela. "Sabes, não houve uma noite que não me imaginasse a voltar para ti. Quis viver só para te ver de novo." Ergueu a mão e fez-lhe uma carícia na face. Tocar-lhe valeu a pena ter sobrevivido. Ser-lhe tocada valeu a pena tê-lo amado tanto duranto tanto tempo. Abriu o punho que tinha cerrado, e com o velho lenço com que lhe costumava limpar a maquilhagem, secou-lhe as lágrimas, e limpou-lhe carinhosamente o rosto. Depois deu-lhe o lenço na mão, e recuou devagar enquanto as duas mãos ainda se tocavam, sabendo que se estavam a despedir de novo... agora para sempre.


"... um carril de cada vez."

sexta-feira, junho 24, 2005

I can see my home from here

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Another summer day
Has come and gone away
In Paris and Rome
But I wanna go home
Mmmmmmmm

Maybe surrounded by
A million people I
Still feel all alone
I just wanna go home
Oh I miss you, you know

And I’ve been keeping all the letters that I wrote to you
Each one a line or two
“I’m fine baby, how are you?”
Well I would send them but I know that it’s just not enough
My words were cold and flat
And you deserve more than that

Another aeroplane
Another sunny place
I’m lucky I know
But I wanna go home
Mmmm, I’ve got to go home

Let me go home
I’m just too far from where you are
I wanna come home

And I feel just like I’m living someone else’s life
It’s like I just stepped outside
When everything was going right
And I know just why you could not
Come along with me
But this was not your dream
But you always believe in me

Another winter day has come
And gone away
And even Paris and Rome
And I wanna go home
Let me go home

And I’m surrounded by
A million people I
Still feel alone
Oh, let me go home
Oh, I miss you, you know

Let me go home
I’ve had my run
Baby, I’m done
I gotta go home
Let me go home
It will all right
I’ll be home tonight
I’m coming back home


Home, Michael Buble

terça-feira, junho 21, 2005

Perdoa-me

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Estou? Onde é que tu andas??

Estou... não devias ter ligado.

Tou farto de te ligar... onde estás?

Fugi de casa.

Fugiste? Porquê?

Porque estava farta.

Falaste outra vez com ele?

Ele não faz a mínima ideia.

Tens noção do que fizeste?

Não. Mas não posso voltar.

Porque dizes isso?

Porque vou acabar com isto.

Não digas isso nem a brincar miúda.

Estou a falar muito a sério.

... achas que isso vai resolver alguma coisa?

Já não consigo viver assim.

Ele nunca te mereceu... isto é injusto!

Ele não tem nada a ver com isto.

Então e eu??

Não sejas parvo.

Vou sentir a tua falta.

Não digas isso.

É a mais pura das verdades.

Isso é injusto...

Injusto para quem? Se sou eu que amanhã que te vou chorar...

... lembras-te do que costumavamos fazer quando falavamos ao telefone? Está uma lua linda... vai até a janela e pensa em mim, tá?

Claro que sim... mas diz-me onde estás.

Desculpa-me.

Não me desligues o telemóvel por favor...

Ninguém me consegue compreender. Nem tu.

Tens razão... não te compreendo às vezes. Mas...

... não há mas. Quando eu passei dias no quarto sozinha sem conseguir sequer comer ninguém me ligou. Toda a gente queria pôr-me fora de casa, levar-me para longe do computador...

... eu estive contigo! Passamos horas a falar um com outro pelo telefone e deixei dezenas de comentários na tua página!

Eu sei. Mas ninguém me batia à porta, com o medo de me verem neste estado. Toda a gente dá conselhos, mas tão poucos estão lá para quando mais precisamos.

Nunca me quiseste em tua casa!

Nunca me perguntaste se podias entrar.

Estás a fazer-me sentir muito mal neste momento... eu quis estar lá para ti...

Não quero falar mais nisto.

Não... espera!

Não tenho muito tempo... estou a perder a coragem.

Não digas isso por favor... dá-me uma oportunidade.

... diz.

Ao menos para de andar para me dares um pouco de atenção.

Já parei.

Achas que ninguém vai sentir a tua falta?

Estás mesmo a leste.

Não estou... sempre gostei muito de ti, sabes disso. Sempre tive um grande carinho por ti.

Eu sei.

Então se sabes, não achas que devias pensar nisto melhor?

Farta de pensar estou eu. Farta de arrancar pedaços de mim e colá-los numa montra virtual para toda a gente ver.

Mas sempre pensei que te ajudasse desabafar... sempre te adorei ler, tudo o que escrevias... sempre te disse que me fazias sentido... que partilhava a tua dor.

Oh como eu sei...

Então...

Tens lido os meus posts ultimamente?

Tenho lido tudo... deixei ainda há 2 horas um comentário no teu último post... e porque começaste a andar de novo?

... tenho que acabar com isto.

Não faças isso, por favor...

Ninguém me percebe. Nunca ninguém me percebeu. Estou farta de chorar por alguém que não me quer.

É mentira!! Eu ao menos estive sempre lá para ti!!

Então sabes melhor que ninguém porque estou assim não é?

Aquele pedaço de merda não merece que faças isto!

Pois não.

Então porque o vais fazer??

... cheguei...

Estou??... Estás aí??? Ouço-te a chorar!!

... perdoa-me... por favor... [gatilho]

Não faças isso!! Por favor, não faças isso!!

... és tão lindo... não me tinhas dito que eras tão lindo assim...

*bang*







sábado, junho 18, 2005

Tempo para mim

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Há quase 2 meses que não jogava à bola... nem fazia desporto praticamente nenhum, porque tinha feito mais uma ruptura na perna esquerda - 3ª consecutiva. Custou-me bastante não poder fazer uma das poucas coisas que mais me dava gozo fazer, e não deu para aguentar mais. Hoje arrisquei de novo... mas fui devagarinho. Entrei com calma, fiz aquecimento, não tive pressa para entrar no jogo... tinha o coração a 300 à hora, só com os nervos de querer entrar, fintar toda a gente e marcar um golo para a fotografia... sabem, aquelas fantasias de crianças que os graúdos ainda têm. Também tinha medo de me magoar de novo... sabia se fizesse outra ruptura, seriam mais uns meses em recuperação, e provavelmente teria de ser operado. Mas sabem que mais? O risco ponderado correu-me bastante bem =) Não me magoei, apesar de me ter custado um bocadinho. O medo era muito, a ansiedade ainda maior. A perna tremia por todos os lados com medo de sair lesionada de novo. Mas correu bem... não tenho razões para não estar contente.

Mas isto até tem a sua piada. Olhem bem para o texto em cima... estão a olhar? Agora substituam a "perna" por "coração", o "jogo" por "namoro", a "ruptura" por "desgosto"... e têm aí a irónica analogia da minha vida.

Mas e a fotografia, que terá a ver com isto tudo? Bem... basta dizer que ir à praia perto da 01H00 da manhã depois de jogar à bola... foi simplesmente espectacular. Foi algo que me apeteceu fazer, e fiz. Dar um mergulho nas águas do Sado com um céu estrelado e sob a luz da lua... bem... olhem sabem que vos digo? A vida é bela, nós é que damos cabo dela. Todas as sextas-feiras vão ser a partir de agora o meu dia. Vou jogar à bola às 23h00, pego nas minhas patinhas size 42 e vou à praia de Albarquel dar uns mergulhos para refrescar a mente. Vamos lá a ver quem é que manda nisto! Isto agora é sempre a subir!

quarta-feira, junho 15, 2005

Chapéus há muitos "pah"

Pah:

Não sei o que te dizer, conheces-me bem demais para tentar refutar o que me escreveste no comment do último post. A única defesa que tenho é que este último ano tem-me forçado a repensar muita coisa. Não foi apenas um precalço, foram vários. Toda a gente tem precalços, mas ninguém os vive de forma igual. Eu dou valor a coisas que tu se calhar ainda não entendeste bem... e desculpa-me dizer isto mas detestava ter que te conhecer se a tua paixão te deixasse amanhã. Acredita que quero sair deste buraco que lhe chamas, mas não é deixando de escrever no blog. Não posso evitar de querer partilhar as merdas que me saem da alma com mais alguém... isso a ter que mastigá-las durante a noite. E quem eu vou ser nem tu nem ninguém ainda sabe, my friend. Se eu tiver que demorar mais tempo, seja. Agora não posso fingir que está tudo bem e rir-me a cada gato que passa senão ai é que estou a ser fingido. Dá-me tempo. Se alguma coisa ficar pelo caminho, que é disso que estamos a falar, seja. Até lá peço-te para seres a pessoa que tens sido. Eu não tenho medo de admitir, man. Fraquejei, mas por uma boa causa. Estou a passar tempos de merda, por uma boa causa. Não serei porventura a pessoa que era há 6 anos, onde trabalhava à noite, ia à praia até de inverno, fazia ginastica e ia a todo o lado... fazia o que me apetecia.. mas não tinha amado ninguém. Agora amei, sei do que sou capaz. Se o génio da garrafa de coca-cola me perguntasse se eu queria voltar a ser a pessoa que montava os cavalos que eram giros e divertidos, eu dizia que não. Dizia-lhe para se "amontar" no gargalo da puta da garrafa e cavalgar até ao pôr-do-sol, e que fosse foder a vida do filho dele. Quero ser a pessoa que vou ser, nem que para isso tenha de ter caido num abismo e tenha em ficado em coma para o mundo o tempo que tenho ficado. Se pensas que estou a piorar, desengana-te. Tu não me viste em casa há dois meses atrás. Não desejo isso a ninguém. Continua ao meu lado, que ainda te vais surpreender.

domingo, junho 12, 2005

Ontem foi o hoje antes de aconteceres

Muros

Andava
Sonhava
Escorreguei
Caí
Ri-me
Levantei-me
Continuei
Parei
Olhei
Dançavas
Suavas
Senti-te
Sorri-te
Desprezaste-me
Compreendi
Continuei
Adormeci
Acordei
Levantei-me
Arranjei-me
Almocei
Voltei
Procurei-te
Perdi-me
Encontrei-te
Dançavas
Suavas
Senti-te
Aproximei-me
Acenei-te
Sorri-te
Desprezaste-me
Custou-me
Magoou-me
Deixei-te
Adormeci
Sonhei
Suei
Acordei
Levantei-me
Preparei-me
Perfumei-me
Arranjei-me
Almocei
Voltei
Procurei-te
Tremi
Encontrei-te
Dançavas
Suavas
Encantavas
Aproximei-me
Dancei
Toquei-te
Detestaste
Rejeitaste-me
Magoaste-me
Chorei
Continuei
Deitei-me
Pensei-te
Senti-te
Lembrei-te
Custou-me
Chorei-te
Esqueci-te.
Levantei-me
Espreguicei-me
Respirei
Preparei-me
Almocei
Andava
Sonhava
Escorreguei
Caí
Riste-te
Levantei-me
Olhei-te
Sentiste-me
Procuraste-me
Lembraste-te
Perguntaste-me
Calei-me
Dançaste
Suaste
Tocaste-me
Sentiste-me
Afastei-te
"Andava
Sonhava
Caía
Ria-me
Levanta-me.
Encontrei-te
Sonhei-te
Amei-te
Caí
Chorei-te
Perdoei-te.
Quero andar
Quero sonhar
Quero cair
Não quero chorar."
Deixei-te.



Peço desculpa pelo atentado. Saíu-me.

quinta-feira, junho 09, 2005

A descer todos os santos ajudam

Quando criei este blog... ao princípio não sabia o que lhe acrescentar, pensando que afinal não teria grande coisa para dizer. Aos poucos e poucos, apercebi-me que cada pedaço de mim é como um capítulo, ansioso por ser escrito ao pormenor. Vocês têm lido um pouquinho de quem verdadeiramente sou, post após post, texto após texto, desabafo após desabafo. Pois seria então injusto da minha parte escolher as partes que exponho, e as partes que meticulosamente prefiro esconder. Injusto para mim, porque me minto a mim mesmo, e para vocês, que vêem apenas aquilo que eu quero mostrar. Pois bem, este é o meu espaço, e este sou eu. Nem mais, nem menos. Não tenho que me sentir envergonhado.

Ontem, Quarta-feira dia 8-06-2005, bati no fundo. Estava na escola, a tentar fazer um trabalho. Tinha acabado de almoçar com o meu mano, quando me comecei a sentir mal. A verdade, é que tinha acabado de ler coisas que tinha escrito para alguém há muito tempo tempo atrás. Queria apagá-las do disco rígido, de uma vez por todas, como tenho tentado fazer com tudo o resto que me lembra dela. O meu corpo resistiu... acabei por não conseguir apagar. Mas eu já estava demasiado cansado. Demasiadas horas a trabalhar em pé num congresso, trabalhos para fazer, projecto em atraso, estágio importante que tive de recusar... e perdi conta de mim. O almoço maravilha no Mac também não terá ajudado, dizem as más línguas. Pela primeira vez na minha vida senti o meu sistema nervoso a tomar conta de mim. Chorei compulsivamente, enquanto perdia lentamente as forças que ainda me restavam. É isto que significa ser fraco? Não me digam que não, porque eu naquele momento deixei-me enfraquecer. E não me apercebi do que me estava a acontecer... quando perdi os sentidos, caindo nos braços do meu mano, sempre lá para me amparar a queda. Dos pedaços que me lembro do resto, fica a vergonha de não ter conseguido evitar mostrar aos meus melhores amigos o que menos queria mostrar de mim. Fica a vontade de quem quis ficar junto de mim, e de quem teve os nervos de aço para, depois de uma directa a trabalhar para a escola, ainda teve a coragem para terminar o trabalho que eu não consegui completar. Ficam também as mãos carinhosas de quem me acordou, já fora da escola, enquanto esperava pela ambulância. Completos desconhecidos/as que se dispuseram a ficar do meu lado, para que não me deixasse ir de novo. Não me lembro das suas caras, mas há quem se lembre. E quando as vir, não se escapam a um abraço de vergonha e... do mais sincero agradecimento.

Aqui estou eu, contudo, para o que der e vier. A partir de agora... é sempre a subir.

terça-feira, junho 07, 2005

Picasso, também tu?

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Estou cansado. Tenho medo do que decida fazer numa destas manhãs. Quantos planos não fiz já para desaparecer, farto que estou de me amarrar ao triste cais que se tem tornado a minha vida. E assim continuo, sem reacção para me mexer. À primeira vista, não me posso queixar. Sempre tive tudo o que quis, mas também nunca quis muito. Fui ensinado a querer o que me chegava, aquilo que podia ter. Talvez tenha de agradecer isso a alguém. Estou quase a acabar o curso, mas bem que podia ser o primeiro ano. Estou tão longe de o terminar como há 4 anos atrás, quando cheguei à escola preparado para mudar a minha vida. Hoje ia na autoestrada e vi uma placa que dizia “Espanha”. Se não fui, culpo a minha mãe, quem amo mais do que a minha própria vida. É o meu único e verdadeiro rumo, o farol a quem tantas vezes recorro para voltar a casa. Não consigo deixá-la a sofrer desta forma. Mas não ter virado importa tanto como todas as vezes que fiz as malas, para as desfazer no dia a seguir. Se não chega a acontecer, não faz parte de mim. Será? Estou farto de não fazer sentido. Queria recomeçar a minha vida noutro lado, longe do melhor e do pior. É porque é disso que a minha vida é feita. De dias incríveis, que são a pausa da merda que são os outros dias todos. Estou farto de extremos, já não aguento este ritmo. Quero o meio, onde por sinal está a puta da virtude que tanto ouço façar. Onde está? Quero a metade do melhor, ter a porra do copo a meio. Depois logo vejo se o encho, ou se o bebo de vez. Não me serve de nada estar bem disposto. Já parece o desenho irónico do tal balão que sobe em direcção do arame farpado. Nem tenho paciência para postar o link. Desenrasquem-se. Para quê me serve ter um dia espectacular na praia, se no fim penso em todos aqueles dias solarentos que poderia ter tido com ela, mas não tive? Para quê me serve dançar durante seis horas seguidas com uma porrada de mulheres diferentes, se só queria dançar com uma? Para quê me serve ter a lata que tenho para meter conversas com estranhos completos, se ninguém me responde como ela? Para quê sentir que sou olhado, se não são os olhos dela que me vêem? Para quê me sentir desejado, se não é a pele dela que me deseja? Acontece-me de tudo, nos últimos tempos. Primeiro levo umas pseudo-barras engraçadas, parece que me ando a testar a mim mesmo. Chumbei foi no teste, porque não me afectaram minimamente. E não, nesse caso não sou mesmo a raposa de La Fontaine. Serei noutros, mas não nestes. Queria sentir-me magoado com outras, qual criança que se quer deixar picar por uma vespa para ver se dói. Qual quê... estou imune. Depois o inverso. Atiçam-me-se estes pratos exóticos, como se eu tivesse “Esfomeado” escrito na testa. Até uma melhor amiga minha pensava que eu andava a subir as paredes. Isto até tinha piada, se não viesse da boca dela. O pior é que me arrancaram as papilas gustativas. Não me apetece comida exótica. E já não consigo confiar em ninguém. Gostava de culpar alguém, é mais fácil. Mas só me posso culpar a mim. Não vale a pena culpar uma memória. E já nem sei de quem estou a falar, para ser sincero. Lembro-me vagamente de pedaços dela. Tenho a impressão que tenho construído um puzzle perverso, juntando essas peças de recordação. Perverso? Nah. Magnífico. Porque o puzzle é perfeito. Todas as peças se encaixam na perfeição. Todas as noites, desmancho o puzzle e destruo as peças. Depois recrio-as à minha maneira. As peças são completamente distintas, mas o puzzle continua a estar completo. Não será isso o amor? Alguém que me diga. É que senão eu começo a jogar às damas e acabam-se estas merdas abstractas. O Picasso era um amador comparado com o coração partido. Não? Andei 4 meses a dormir tão pouco que já andava em transe diurno. Cansado é uma definição para fracos. Eu andava numa dimensão paralela, onde as autocarros eram berços de embalar e cada cadeira, por mais dura que fosse, era uma cama com um colchão Picolin. Na semana passada comecei a dormir melhor, assim, do nada. Agora perguntam vocês “Então Mauro, já andas melhorzinho então”. [eu espero que vocês perguntem]. Ao que eu respondo “Népias, comprei uma almofada mais alta.”.

sexta-feira, junho 03, 2005

Fico assim sem você

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Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola
Piu-piu sem Frajola
Sou eu assim sem você

Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim

Amor sem beijinho
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço
Namoro sem abraço
Sou eu assim sem você

Tô louca pra te ver chegar
Tô louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Por quê? Por quê?

Neném sem chupeta
Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada
Queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você

Porque que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo (2x)

Adriana Calcanhoto, Fico Assim Sem Você


Adoro esta música. Pela musicalidade, pela letra descontraída e pela forma como encara a saudade... enfim =)