Viagem ao subconsciente... more please =)

Cheguei ao topo da colina do que parecia ser a rua mais longa que alguma vez vi. Bastante cansado, olho para baixo e vejo o que me espera. Uma descida enorme, num alcatrão já velhinho, parte a cidade em dois desde o cimo da colina onde eu estava agora, até desaguar no rio, uns bons quilómetros lá em baixo. O vulto sem face que estava ao meu lado incitava-me a deixar-me ir de uma vez por todas. "Vá lá, deixa-te de merdas!" E eu ria-me, na possibilidade de o fazer. Dou uns passos atrás para tomar balanço, como se tal inclinação precisasse de velocidade extra. Sinto-me a inspirar fundo umas quantas de vezes de seguida. "Vai!" E lanço-me numa corrida desenfreada, com o coração a um ritmo alucinante, na direcção da descida. Quando dou por mim, já me havia atirado de mergulho contra o alcatrão, sem saber muito bem o que raios estava a fazer ali sem um meio de transporte decente. Qual prancha de skate, qual bicicleta, qual quê! Era o meu corpo que se preparava para provar a áspera textura do alcatrão remendado. Mas em vez de bater de chapa na estrada, acabando em tempo record a estória que aqui deixo, o meu corpo fica a pairar centímetros acima do chão, descendo os primeiros metros da rua. "Mete os braços para trás!", foi o último comentário que lhe consegui ouvir. E meti. Com o corpo estendido, com os braços esticados para trás, comecei a sentir o vento a bater-me cada vez com mais força à medida que comia os metros da inclinação e aumentava de velocidade. A única coisa que conseguia ouvir era o jogo que o vento fazia com o carros estacionados, quando por eles passava sem conseguir lhes ver sequer a cor. Estava a voar... de uma forma bastante precária, entenda-se... mas estava a voar. Só a meio me apercebi do quanto me estava a divertir, e um sorriso enorme nasceu-se-me na cara. Comecei a ficar mais descontraído, e apesar de estar um pouco confuso com o que se estava a passar, parecia-me que já tinha feito aquilo umas boas centenas de vezes. Já a uma velocidade estonteante, vejo o rio a aproximar-se de mim com uma pressa pouco aconselhável, e penso como raios vou travar. Por as patinhas no chão nem pensar, e o sorriso depressa se me desapareceu da cara. Não conseguia ver muito bem os obstáculos que me separavam do rio, mas tive de confiar no meu instinto masculino = fechei os olhos e rezei aos deuses. Que familiar... abro os olhos, em sobressalto. Estou a respirar que nem um doido, mas apercebo-me que tive mais uma vez aquele sonho. Começo-me a rir sozinho, deixando a cabeça pousar de novo na almofada. "Pode ser que da próxima vez eu não feche os olhos", pensei. O sonho acabava sempre ali.


